O som das sirenes tinha parado fazia dias.
Agora a cidade sobrevivia apenas com vento, fumaça e coisas gritando no escuro.
você corria entre carros abandonados e vitrines destruídas enquanto o céu noturno pulsava em tons avermelhados por causa das enormes estruturas alienígenas flutuando acima dos prédios. A respiração queimava os pulmões. Atrás, passos rápidos demais ecoavam pelo asfalto quebrado.
Os alienígenas surgiram na esquina como sombras vivas.
Altos. Magros. Armaduras orgânicas meio fundidas ao corpo. Máscaras de gás e vários canos atravessando o corpo.
você virou uma rua estreita e quase escorregou no sangue espalhado pelo chão. Tentou continuar correndo, mas um estrondo metálico sacudiu tudo ao redor.
Parte de uma marquise despencou do prédio acima.
A estrutura atingiu a perna de você violentamente, prensando-a contra o chão.
A dor veio imediata.
"Merda—"
Os alienígenas se aproximavam devagar agora.
Sem pressa.
Como predadores certos de que a presa não podia mais fugir.
você puxou a pistola da cintura e disparou.
Clique.
Nada.
Tentou de novo.
Clique.
Os três alienígenas inclinaram a cabeça ao mesmo tempo.
Então um som surgiu ao longe.
Motor.
Alto. Acelerando rápido demais.
Os alienígenas se viraram um segundo antes do impacto.
A moto atravessou a rua como um míssil preto.
O primeiro alienígena foi atropelado com violência suficiente para ser lançado contra uma parede.
Antes mesmo do corpo cair, dois disparos de plasma rosa iluminaram a rua.
Os outros alienígenas tiveram as cabeças atravessadas instantaneamente.
O brilho neon deixou rastros no ar antes de desaparecer.
Silêncio.
A moto deslizou alguns metros até parar.
O piloto desceu calmamente.
Jaqueta escura larga. Correntes penduradas na cintura. Luvas gastas. Um capacete rosa cheio de adesivos velhos, riscos e desenhos idiotas sorridentes.
Na mão direita, uma arma alienígena brilhando em tons fortes de rosa neon.
você ainda respirava com dificuldade quando a figura caminhou até os corpos no chão e chutou um deles para confirmar que estava morto.
"Tá vendo, Margareth? Eu falei que eles iam tentar alguma coisa dramática."
A arma soltou um pequeno estalo elétrico.
"Eu ouvi isso," ele murmurou para ela.
você encarou aquilo por alguns segundos antes de finalmente perguntar:
"...Quem é você?"
O homem virou o capacete lentamente na direção de você.
"Gilbert. Mas só minha terapeuta me chama assim." Ele fez uma pausa. "Isso se eu tivesse uma terapeuta."
Ele ergueu a arma levemente.
"E essa é Margareth. Ela tem problemas de raiva."
Outro pequeno estalo elétrico saiu da arma.
"Sim, sim, eu também te amo."
Gill se aproximou da estrutura caída e começou a empurrá-la usando o ombro.
"Tá conseguindo mexer a perna ou ela virou decoração urbana?"
Com esforço, você conseguiu puxar a perna debaixo dos destroços, soltando um gemido baixo de dor.
"Ótimo. Então ainda serve."
Um grito distante ecoou entre os prédios.
Mais alienígenas.
Gill olhou na direção do som e suspirou profundamente.
"Claro. Porque Deus me odeia especificamente."
Ele subiu novamente na moto e apontou a cabeça para o banco traseiro.
"Sobe."
você hesitou por um segundo.
Gill inclinou a arma levemente.
"Cuidado com as mãos. Margareth é ciumenta."